A ideia precursora do Concurso Estadual de Peões surgiu em 1988 por ocasião do 33º Congresso Tradicionalista Gaúcho, na cidade de Veranópolis. Na ocasião, foram apresentadas duas propostas para a criação do evento: a primeira, de autoria de Rosângela Antoniazzi de Moraes (1ª Prenda do RS 1984/1985) e César Vieira, e a segunda, de Sergei Renan Lopes e Vicente Leomar Mileski. Ficou aprovada a nomeação de uma comissão para estudar o assunto.

Na 27ª Convenção Tradicionalista, em julho de 1988, em Caxias do Sul, foi aprovado o concurso “Trófeu Farroupilha”. Nessa época, apenas um peão adulto recebia o definido troféu.
O primeiro Peão Farroupilha do RS foi Agnaldo Reis, do PL Esteios de Japeju – Uruguaiana, 4ªRT.

Em 1991, foi aprovado que o concurso passaria a premiar também os destades cultural, artístico e campeiro. E, em 1992, por proposta de Maurpicio Sessembach Abreu, o evento passou a ser isolado na cidade do Peão Farroupilha (antes de tornar-se um evento isolado, ocorreu com o concurso de prendas e com a FECARS).
A categoria Guri Farroupilha foi aprovada em 1995, tendo seu primeiro concurso no ano seguinte. A categoria Piá Farroupilha foi aprovada no ano de 2012 e teve sua primeira edição em fase estadual no município de Marau, no ano de 2015.
O concurso estadual de peões passou a chamar-se “Entrevero Cultural de Peões” no ano de 2002.
Entrevero Cultural de Peões: Formação e Representatividade das Gerações Tradicionalistas Gaúchas
Apresentamos, a seguir, dados compilados da série histórica do Entrevero Cultural de Peões do Rio Grande do Sul, com o objetivo de oferecer um panorama da participação de jovens tradicionalistas nas categorias Peão, Guri e Piá Farroupilha.
Destacamos que os dados aqui apresentados foram elaborados com base nas informações disponíveis acerca dos primeiros colocados em cada categoria, considerando as limitações encontradas no levantamento. Embora a pesquisa realizada contemple o registro nominal de Peões, Guris e Piás em diversas colocações, ainda há ausência de informações completas relacionadas às entidades tradicionalistas de origem, o que dificulta a construção de uma análise mais ampla e detalhada.
Diante disso, optou-se por direcionar este estudo aos primeiros colocados, permitindo, ainda assim, uma leitura significativa sobre a distribuição e representatividade regional no contexto do Entrevero Cultural de Peões.
A partir dos dados apresentados, observa-se um total de 75 títulos distribuídos, sendo 36 na categoria Peão, 29 na categoria Guri e 10 na categoria Piá. É importante destacar que esse panorama se estabelece considerando o período de inclusão das categorias Guri e Piá no Entrevero Cultural de Peões, o que influencia diretamente na quantidade de títulos registrados em cada uma deles.
Entre as regiões, a 3ª Região Tradicionalista se destaca de forma expressiva, acumulando 14 títulos, com forte presença especialmente na categoria Guri, o que demonstra um trabalho consistente de base e formação dos jovens tradicionalistas. Na sequência, a 11ª Região Tradicionalista, com 10 títulos, e a 9ª Região Tradicionalista, com 8 títulos, reforçam sua relevância no cenário estadual.

Observa-se a distribuição de 36 títulos de Peão Farroupilha ao longo da história do Entrevero Cultural de Peões, abrangendo o período de 1989 a 2025. Esse recorte histórico demonstra a continuidade do Entrevero Cultural de Peões e sua relevância na formação de lideranças tradicionalistas ao longo das décadas.
No que se refere à distribuição por Regiões Tradicionalistas, percebe-se um equilíbrio entre algumas regiões que concentram maior número de títulos. A 3ª, 9ª e 15ª Regiões Tradicionalistas aparecem como as mais expressivas, cada uma com 4 títulos, evidenciando constância e protagonismo ao longo dos anos. Logo em seguida, regiões como a 13ª, 30ª, 11ª, 23ª e 16ª somam 3 títulos cada, demonstrando também presença relevante, ainda que com menor regularidade.
Ao analisar a distribuição por cidades, observa-se que não há uma concentração excessiva em um único polo, o que reforça o caráter abrangente do movimento tradicionalista. Ainda assim, municípios como Novo Hamburgo e Camaquã se destacam com 3 títulos cada, seguidos por cidades como Santa Maria, São Sebastião do Caí, Portão e Tramandaí, com 2 títulos cada. As demais cidades aparecem com um título, evidenciando uma ampla diversidade geográfica dos vencedores.
No que diz respeito às entidades tradicionalistas, percebe-se uma característica interessante: há pouca repetição de títulos por uma mesma entidade. Apenas algumas, como PL Timbaúva, CTG Potreiro Grande e CTG Camaquã, aparecem com mais de um título. A grande maioria das entidades possui apenas uma conquista, o que demonstra o caráter democrático do Entrevero Cultural de Peões
De forma geral, os dados revelam que o cargo de Peão Farroupilha não se concentra em um único território ou entidade, mas sim se distribui de maneira relativamente equilibrada, refletindo a diversidade e a capilaridade do tradicionalismo no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, evidenciam quais regiões e localidades têm conseguido manter maior regularidade na formação de representantes.
Guri Farroupilha

O levantamento dos títulos de Guri Farroupilha no Entrevero Cultural de Peões, entre os anos de 1996 e 2025, revela um total de 29 vencedores distribuídos por diferentes regiões tradicionalistas, cidades e entidades. A análise mostra que, embora haja participação de diversas regiões, existe uma clara concentração em algumas delas, especialmente na 3ª Região Tradicionalista, que lidera com 10 títulos, seguida pela 11ª RT, com 7 conquistas. As demais regiões aparecem com participação mais discreta, geralmente com um ou dois títulos ao longo do período.
No que se refere às cidades, observa-se que poucas concentram múltiplos vencedores. Nova Prata e Santo Ângelo se destacam com três títulos cada, enquanto São Borja e São Luiz Gonzaga aparecem com dois. A maioria das demais cidades registra apenas um título, indicando uma ampla distribuição geográfica dos vencedores, mas com alguns polos mais fortes. Destaca-se também a presença significativa de cidades da região das Missões, evidenciando a força cultural tradicionalista dessa área.
A análise das entidades tradicionalistas reforça a ideia de diversidade. A grande maioria dos CTGs possui apenas um título, o que demonstra equilíbrio e renovação constante entre as entidades participantes. Ainda assim, algumas entidades conseguem se destacar, como o CTG Retorno à Querência, de Nova Prata, e o CTG Tio Bilia, de Santo Ângelo.
Ao observar a evolução ao longo do tempo, percebe-se que nas décadas anteriores houve maior dispersão entre regiões e cidades, enquanto nos anos mais recentes há uma presença mais constante da 3ª e da 11ª Regiões Tradicionalistas. Mesmo assim, não se verifica um domínio contínuo de uma única entidade, mas sim uma predominância regional.
Pia Farroupilha

A mais nova das categorias do Entrevero de Peões teve início em 2015 e até o momento foram, foram registrados 10 títulos, o que evidencia o caráter recente da categoria. Diferentemente do que ocorre com os Guris, não há uma região tradicionalista dominante. As conquistas estão distribuídas entre várias regiões tradicionalistas, com leve destaque para a 9ª RT e a 4ª RT, ambas com dois títulos cada. As demais regiões aparecem com apenas um título, indicando um quadro bastante equilibrado e sem hegemonia regional consolidada até o momento.
No recorte por cidades, também se observa diversidade. Alegrete e Ijuí são as únicas com mais de um título, com duas conquistas cada. As demais cidades, como Nova Hartz, Parobé, Pinheiro Machado, Porto Alegre, Rio Grande e Vacaria, aparecem apenas uma vez. Isso demonstra que, até agora, a categoria não está concentrada em polos específicos, mas distribuída de forma relativamente ampla pelo estado.
Em relação às entidades tradicionalistas, o padrão de equilíbrio se repete. Apenas o GF Chaleira Preta, de Ijuí, aparece com dois títulos, enquanto todas as outras entidades possuem apenas uma conquista.
De modo geral, a categoria Piá Farroupilha apresenta um perfil democrático e em desenvolvimento, com ampla distribuição de títulos entre regiões, cidades e entidades. A ausência de domínio consolidado indica que o espaço ainda está sendo construído, abrindo oportunidades para diferentes grupos se destacarem. Essa característica pode ser interpretada como positiva, pois demonstra crescimento, inclusão e fortalecimento gradual da base infantil do tradicionalismo gaúcho.
Esta análise de dados é assinada pelo tradicionalista Diego Schuh.

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