A Mais Prendada Prenda da Vacaria 2024

Entrevista com a atual Mais Prendada Prenda Júlia Mariana Schuster de Souza

O que significou, para você, conquistar o título de Mais Prendada Prenda?

            O concurso de Mais Prendada Prenda nunca foi, para mim, um título como fim em si mesmo. Ele representou a perpetuação de um legado familiar. Antes mesmo de se tornar um sonho meu, já havia sido o sonho da minha tia, e meus avós sempre incentivaram não apenas a ela, mas também a mim, a trilhar esse caminho dentro do tradicionalismo.

            Essa conquista simbolizou o encerramento de um longo ciclo da minha vida: o fim da minha trajetória enquanto prenda. Foi a forma que encontrei de honrar a história da minha família, especialmente a memória do meu avô, que já não está mais entre nós, mas sempre esteve presente em cada etapa dessa caminhada. Ao encerrar esse ciclo, pude seguir com meus outros objetivos pessoais e profissionais com a consciência tranquila e a certeza de que fiz tudo o que estava ao meu alcance, dentro das minhas condições, sempre dando o meu melhor.

De que forma o concurso contribuiu para aprofundar sua vivência no tradicionalismo?

            O concurso exigiu de mim um aprofundamento ainda maior no conhecimento da cultura gaúcha, da história, dos valores e da responsabilidade que envolve representar o tradicionalismo. Ele me fez compreender que ser prenda vai muito além da estética ou da performance: é estudo, comprometimento, postura e, principalmente, respeito àquilo que nos foi legado.
Durante o processo, pude fortalecer minha identidade como prenda e como mulher tradicionalista, entendendo que a vivência no tradicionalismo é contínua e se renova a cada desafio, a cada apresentação e a cada oportunidade de representar nossa cultura.


Você já havia participado de outros concursos/cirandas culturais de prendas?


            Sim. Minha trajetória no tradicionalismo começou praticamente junto com a minha vida. Venho de uma família profundamente tradicionalista, especialmente do lado paterno, onde meus avós sempre foram grandes incentivadores.

            Iniciei minha caminhada como prenda aos 6 anos, quando fui 2ª Prenda Pré-Mirim do CTG Alexandre Pato, em Lagoa Vermelha, minha terra natal. Posteriormente, fui 1ª Prenda Mirim da entidade, 1ª Prenda Juvenil (2016–2017), 1ª Prenda Juvenil da 8ª Região Tradicionalista (2017–2018) e, já residindo em Vacaria, fui 1ª Prenda do CTG Porteira do Rio Grande (2022–2024). Foi nessa última oportunidade que concorri ao título de Mais Prendada Prenda do 35º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, onde tive a honra de me sagrar vencedora, cargo que ocupo atualmente.

Que aprendizado você leva dessa experiência para a vida pessoal e cultural?

            Levo, acima de tudo, o aprendizado da perseverança e do autoconhecimento. O concurso me ensinou a confiar mais em mim, a lidar com pressões, frustrações e expectativas, sem perder a essência e os valores que sempre me guiaram. Culturalmente, reforçou em mim o compromisso de preservar, respeitar e difundir o tradicionalismo de forma consciente, verdadeira e atual, entendendo que tradição não é algo estático, mas sim um legado vivo que se constrói diariamente.


Qual foi o momento mais marcante vivido durante o Rodeio Internacional?

            Todos os momentos foram especiais, mas, sem dúvida, a minha apresentação e o anúncio do resultado foram os mais marcantes. Foi indescritível ter minha família e meus amigos presentes nesses momentos tão importantes.

            Minha família foi o alicerce que me sustentou até ali, e meus amigos foram aqueles que estiveram ao meu lado em cada ensaio, em cada incentivo, em cada aplauso. O resultado foi especial porque simbolizou a confirmação de que todo o esforço, as renúncias e as dificuldades enfrentadas não foram em vão. Foi a prova de que, mesmo quando muitas circunstâncias pareciam não estar a meu favor, eu consegui chegar onde cheguei.


Que conselho/orientação você daria às meninas que pensam em concorrer este ano?

            Pode parecer clichê, mas é um conselho que realmente funciona: sejam vocês mesmas. Não se envergonhem da própria essência e não tentem se encaixar em um molde rígido ou “engessado”. A figura da prenda, embora carregue símbolos e responsabilidades muito específicas, não anula a individualidade de cada mulher. Pelo contrário, ela se fortalece quando a prenda é autêntica, sensível, estudiosa e verdadeira. Tragam quem vocês são para o trabalho que desenvolverão, respeitando a tradição, mas sem perder a própria identidade. Aproveitem cada momento, sejam jovens, alegres, comprometidas e dispostas a aprender. O processo é tão valioso quanto o resultado.

Por que vale a pena viver essa experiência?

            Vale a pena porque é uma experiência transformadora. O concurso não forma apenas uma prenda, ele forma pessoas mais conscientes, responsáveis e seguras de si. Ele proporciona crescimento pessoal, amadurecimento emocional e um vínculo ainda mais profundo com a nossa cultura. Independentemente do resultado final, quem se permite viver essa experiência de forma verdadeira carrega aprendizados e memórias que permanecem para a vida inteira.

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