Regionalidade: A Evidência Irrefutável da Autenticidade do Gaúcho

Por Andrei Caetano | 3ºPeão Farroupilha do RS 2021/2022; Coordenador Cultural do CTG Tio Bilia – 3ªRT

No ano de 2025, o Movimento Tradicionalista Gaúcho se propôs a debater um tema
deveras interessante, abordando o regionalismo, o bairrismo e a identidade campeira — tema esse que, talvez até despropositadamente, bateu em algumas “feridas” abertas da tradição, fazendo-nos refletir se, de fato, honramos os costumes locais de onde viemos e se mantemos viva a identidade da “nossa gente” dentro de nós.
Num mundo cada vez mais líquido e marcado pelo dinamismo das coisas e das
pessoas, o tradicionalismo, como partícula viva dessa sociedade, também sofre os ônus desse processo social, em que o excesso de informação dificulta a filtragem daquilo que realmente faz sentido para cada indivíduo, refletindo na perda da autenticidade individual — o que se expande para o macro, impactando na perda das características regionais de um povo.
Outro fator considerável são nossos concursos, que cobram de nossos peões,
prendas e grupos de dança uma excelência cada vez maior, fazendo com que o amadorismo vá ficando para trás e ceda espaço ao profissionalismo, o que, por sua vez, enfraquece a essência de ser voluntário por uma causa maior — que vai além de nossos anseios particulares. Ainda dentro desse tema da excelência, vemos a busca dos jovens por detectar “padrões de vitória”, não apenas se espelhando nos bons exemplos daqueles que chegaram ao objetivo visado, mas também deixando de lado sua própria individualidade para se apropriar da individualidade do outro — escondendo seu “R” puxado, herdado da sua regionalidade, para apresentar algo que não é seu, que não é autêntico.
Mas o que, de fato, é ser autêntico? Numa busca rápida, encontramos que a palavra
“autenticidade” vem do grego authentikos, que significa algo “genuíno”, “original”, “real” — ou seja, em outras palavras, é ser autoral, escrevendo sua própria história com seus erros, acertos, derrotas e vitórias, caindo e se levantando sem perder a sua própria essência. É honrar e levar adiante tudo o que aprendemos de bom com os que vieram antes de nós.
Qualquer coisa diferente disso é entregar a caneta para que outro escreva a nossa jornada. Sempre que falo desse tema, recordo uma conversa antiga com um grande amigo santo-angelense, o excelente poeta missioneiro Luciano Freitas, que admiro desde os 13 anos de idade. Na ocasião, eu escrevia alguns versos iniciantes e relatei que, um dia, gostaria de escrever igual a ele. Sem demora, fui repreendido com um importante conselho: jamais buscar escrever como fulano ou beltrano. Eu deveria escrever como Andrei Caetano, falar a minha verdade, do meu jeito, transmitir as coisas que eu sentia e pensava, mostrando através da minha arte quem eu realmente era. Isso é ser autêntico.
Na regionalidade, isso não é diferente. Devemos ter plena consciência de que o
gaúcho missioneiro tem as suas particularidades, o fronteiriço tem outras, e da mesma forma os litorâneos e serranos também têm as suas. Mas isso não os torna melhores ou piores — apenas diferentes. E embora, lá nos primórdios, isso tenha sido motivo de fortes debates, devemos sim valorizar essas diferenças, que nos enriquecem como povo, que fortalecem a identidade regional e que fazem (ou deveriam fazer) cada gaúcho encilhar da forma característica de sua região, usar o chapéu, a bombacha e até mesmo o lenço no formato e nas cores que seus predecessores daquela localidade utilizavam.

Por fim, podemos concluir que a regionalidade é a marca da autenticidade de um
povo. É o que nos identifica enquanto grupo social e que muitas vezes fala por nós sem que digamos uma palavra, pois está na nossa forma de ser e de viver, de pensar e de vestir — e, principalmente, no orgulho de ser e pertencer ao lugar e ao grupo ao qual fazemos parte. Essas são apenas algumas humildes reflexões deste peão que sempre acreditou na humildade e na simplicidade que carrega como herança familiar em sua bagagem e que jamais impõe seus pensamentos, mas fortalece sua filosofia no aprendizado que desponta do debate, do falar e do ouvir.


Muito obrigado pelo espaço. Sigamos aprendendo juntos. Forte abraço!

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