Mariana Messerschmidt, jornalista, representou a 7ª Região Tradicionalista na categoria adulta da 52ª Ciranda Cultural de Prendas (Rio Grande, 2023). Naquele ano, a mostra folclórica abordou o tema “Jóias e acessórios: O uso de jóias e acessórios como legado cultural da Indumentária Feminina no Rio grande do Sul” e Mariana escolheu pesquisar e falar sobre o leque. A sua pesquisa tornou-se o livro “O uso do leque na indumentária da mulher gaúcha”.


1) Como foi realizar essa pesquisa para a ciranda de prendas?
Foi muito prazeroso e feliz. Como jornalista adoro ouvir e contar histórias, e poder fazer isso e ainda contribuir com a preservação e valorização deste aspecto da nossa cultura foi muito gratificante. Em um primeiro momento foi bastante desafiador realizar este estudo, porque não existem livros ou arquivos que tragam a história do leque ou todo esse contexto que envolve o acessório e as mulheres que o usavam. Então tive de fazer uma pesquisa muito minuciosa e ir “costurando” partes da história para poder construir o estudo que apresentei, inclusive, foi necessário a consulta em materiais estrangeiros para poder conseguir alguma informação. Já a parte da pesquisa de campo, é sempre algo a parte. As mulheres que entrevistei contavam com muita alegria suas histórias, e eu via o brilho no olhar delas em reviver esses momentos em que usavam o leque. Mesmo que em um contexto mais reduzido geograficamente, também pude ver na realidade o que observei nos estudos teóricos, principalmente sobre a questão de classe social e o processo de aculturação, que são descritos na pesquisa. Foi um estudo que exigiu muito empenho e dedicação para ser realizado, mas que, sem dúvidas, é um dos meus maiores orgulhos de minha trajetória enquanto Prenda.
2) Como surgiu a ideia de falar sobre o leque?
Confesso que quando foi divulgado o tema da Mostra Folclórica daquele ano, me surgiu a dúvida de o que iria fazer sem ser repetitivo em relação ao que as demais meninas poderiam apresentar. Do meu ponto de vista, ter um diferencial seria importante no contexto de um concurso. E outra questão que é sempre levada em conta nas Mostras Folclóricas, é a verdadeira relação da Prenda com o tema que está sendo apresentado. A partir disso tudo, busquei referências na minha família que pudessem me dar um norte sobre qual tema explorar e, então, meus pais falaram sobre um leque que minha avó usou. E esse foi o ponto de partida. Então fui ao Museu de minha cidade e encontrei mais leques, devido ao fato de Carazinho ter colonização portuguesa. A partir disso cada pessoa com quem conversava sobre a pesquisa me indicava outras com quem poderia seguir explorando o tema. E esse mesmo processo se repetiu quando me tonei Penda Regional, quando visitei o Museu de Passo Fundo. Até é importante destacar o quanto amigos e pessoas que eu nem conhecia, se empenharam em me auxiliar a construir essa pesquisa. Acredito que por todos, de alguma forma, entenderem a importância desse estudo.
3) Como a tua pesquisa virou um livro? De onde veio a ideia, de quem, etc?
Desde que me tornei Prenda Regional me surgiu a vontade de publicar essa pesquisa. O fato de não existirem registros que contem a história do leque e tão pouco de sua chegada ao Brasil e no Rio Grande do Sul, me instigaram a compartilhar esse material para que essa história não se perca e mais pessoas possam tem acesso a tudo isso. Infelizmente hoje as pessoas não tem um fácil acesso às pesquisas que as prendas e peões realizam para os concursos, que para mim é uma das maneiras de exercermos nosso papel de Tradicionalistas no que se diz respeito a preservação e valorização da cultura. E para garantir que este estudo não ficasse somente no “universo” da Ciranda, minha ideia inicial era de fazer uma publicação no estilo acadêmica. Mas durante uma das entrevistas da pesquisa de campo, conheci o Beto Mayer com quem compartilhei essa ideia de publicar a pesquisa e, então, ele me contou que trabalhava em uma editora e me fez a proposta de publicar como um livro. Devido a toda a preparação para a Ciranda Estadual acabei deixando de lado essa ideia, mas demos sequência a este projeto alguns meses após o concurso, e hoje este é o primeiro livro do Brasil sobre a história do uso do leque.
4) Como foi o processo de preparação para o lançamento do livro?
O processo foi simples por eu já ter a pesquisa pronta, mas mesmo assim levou um tempo por se tratar da edição de um livro. A Editora Ellus avaliou o material da pesquisa e me orientou a realizar alguns ajustes no texto e, após isso, o adequaram para o formato do livro e em alguns meses ele ficou pronto para a venda, tanto no formato físico quanto digital.
Para mim, este livro é uma grande realização. Sei que poderiam ter ainda mais informações e histórias, já que as regras do concurso não possibilitavam ir muito além da minha região geográfica para fazer essa pesquisa. Talvez, futuramente, possa seguir com esse estudo explorando outras regiões do estado e contando novas histórias. Mas até aqui, fico muito feliz em poder deixar registrado esse estudo que tem todo meu amor, carinho e dedicação, e que me fez encerrar meu ciclo de Prenda com muito orgulho do que construí e do que contribuí com nosso Movimento.
Parabéns pelo trabalho enquanto prenda, tradicionalista e escritora, Mariana! Para o Cartilha dos Galpões, contar esse pedacinho da tua história é uma honra.

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