O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, que no ano de 2024 alcança a sua 37ª edição, teve seu surgimento a partir do Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL quando o Sr. Praxedes da Silva Machado busca uma parceria com o Movimento Tradicionalista Gaúcho e com o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore(IGTF). Assim, criou-se o Festival Estadual de Arte Popular e Folclore que popularizou-se como Festival Estadual do Mobral. A primeira edição desse festival teve sua fase final realizada em Bento Gonçalves, no ano de 1977.
Somente no ano de 1986 é que o evento passou a ser realizado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho em parceria com a Prefeitura de Farroupilha e o IGTF. A partir desse momento, adota-se o nome de Festival Gaúcho de Arte e Tradição – FEGART. O evento permaneceu em Farroupilha da 1ª à 11ª edição, até o ano de 1996. A 12ªedição foi transferida para Santa Cruz do Sul por conta do tamanho do evento e da manifestação da Prefeitura de Farroupilha de não mais sediar o evento. Após mudar-se para Santa Cruz também foi necessária a troca do nome do evento, após uma reinvindicação da Prefeitura de Farroupilha. Assim, no ano de 1999, o evento passou a chamar-se Encontro de Artes e Tradição Gaúcha – ENART.
Atualmente, as modalidades do ENART são: inclusão (nas danças gaúchas de salão), chula, danças gaúchas de salão, conjunto instrumental, violino ou rabeca, gaitas, violão, viola, causo gauchesco de galpão, pajada, concurso literário gaúcho, declamação, trova galponeira, conjunto vocal, solista vocal e danças tradicionais – forças A e B.
No ENART, as danças tradicionais são divididas em 4 blocos, sendo eles:
Bloco 1 – Anu, Cana Verde, Chote de Sete Voltas, Chote de “Quatro Passi”, Pau de Fitas, Sarrabalho.
Bloco 2 – Balaio, Chimarrita, Caranguejo, Rilo, Quero Mana, Tatu.
Bloco 3 – Chico Sapateado, Chimarrita Balão, Chote Carreirinho, Meia Canha, Maçanico, Tirana do Lenço.
Bloco 4 – Chote de Duas Damas, Roseira, Rancheira de Carreirinha, Chote Inglês, Pezinho, Havaneira Marcada, Tatu de Volta no Meio.
De todas as modalidades, o ponto principal do ENART é o concurso de Danças Tradicionais – Força A. O chamado “palco sagrado” movimenta invernadas de todo o RS no sonho de ser o grande campeão estadual, além de milhares de telespectadores que acompanham esse palco de forma presencial e on-line. Dançar e ganhar o ENART faz parte do sonho de milhares de jovens e adultos tradicionalistas que dedicam noites, feriados e finais de semana aos exaustivos ensaios para apresentar danças e coreografias no palco sagrado. Inclusive, a cada ano, surge uma onda de curiosidade acerca dos temas de coreografias de cada grupo, seus contextos de apresentação, músicas e indumentárias a serem utilizadas no festival.
Os dançarinos e as entidades tradicionalistas emocionam-se com cada detalhe apresentado em palco. O público reage de forma espontânea e eufórica ao show visualizado no tablado. A arquibancada canta, aplaude e grita com orgulho. Santa Cruz do Sul vive e respira a cultura gaúcha em um final de semana de ENART. E, a cada novembro, todos que já vivenciaram o Mobral/FEGART/ENART são tomados de lembranças, saudades e nostalgia. Afinal, quem um dia já viveu essa “vida de CTG” – mesmo que de longe – nunca deixa de acompanhar a tradição gaúcha.
Por isso, em uma véspera de mais uma edição, só resta dizer: vida longa ao palco sagrado! Vida longa ao ENART!
*Por Amanda Faleiro
Fonte: Livro – MTG: 50 anos de preservação e valorização da cultura gaúcha.


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