Embora o início do tradicionalismo gaúcho seja datado de 1947, o Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG enquanto instituição nasceu quase 20 anos mais tarde.
Foi no 1º Congresso Tradicionalista, que Fernando Brockstedt, da União Gaúcha, de Pelotas, apresentou proposta de criação da “Federação das Entidades Tradicionalistas do RS”, denominada “FENTRA”. A tese foi relegada a segundo plano, sendo apresentada novamente no 2º Congresso, em Rio Grande. Enquanto era analisada a criação da federação dos CTGs e devido a sua pouca participação nos últimos congressos, surgiu a ideia de constituir uma coordenação estadual, com o objetivo de orientar os Centros Tradicionalistas entre um congresso e o seguinte.
Assim ocorre o primeiro ensaio para o surgimento de uma instituição ocorreu no ano de 1959, em Cachoeira do Sul, através da criação do Conselho Coordenador e das Zonas Tradicionalistas durante o 6º Congresso Tradicionalista Gaúcho, por proposta do Sr. Getúlio Marcantônio. O presidente do 6º Congresso Tradicionalista Gaúcho foi o Sr. Moacir da Cunha Ressing. Nessa época, os tradicionalistas e entidades já sentiam a necessidade de um órgão norteador ao tradicionalismo gaúcho. O Conselho Coordenador foi criado em caráter experimental e, no 7º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado em outubro de 1960, em Santo Ângelo, Getúlio Marcantônio apresentou Moção para torná-lo definitivo
A criação definitiva da associação de entidades tradicionalistas foi efetivada no dia 28 de outubro de 1966, data em que comemoração o Aniversário do MTG – que em 2024 completa 58 anos. A criação do MTG é construída por proposta de Hugo da Cunha Alves e Othon Cezar Filho, durante o 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho em Tramandaí. O presidente do 12º Congresso Tradicionalista Gaúcho foi o Sr. Jaime Medeiros Pinto e, nesse congresso, as Zonas Tradicionalistas foram transformadas em Regiões Tradicionalistas – primeiro em número de 12 Regiões Tradicionalistas que, ao longo dos anos, foram aumentadas até chegarmos ao número atual.
Quando os tradicionalistas se reuniram em 1966, a ideia de federação já estava madura. Por isso, quando a proposta de Hugo da Cunha Alves e Othon Cezar Filho foi colocada em pauta, foi aprovada por unanimidade. Bem como seu Estatuto, que foi elaborado pelos autores da proposta de criação da instituição, com colaboração da Sra. Maria Luiza Lopes Alves, esposa de Hugo da Cunha Alves. O primeiro Presidente do MTG foi o Sr. Hermes Gonçalves Ferreira.
Passadas quase seis décadas da sua criação, o MTG – conforme apresenta seu estatuto – é uma associação civil, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com circunscrição em todo o território nacional, com número ilimitado de associados. O MTG tem por objetivo congregar os Centros de Tradições Gaúchas e entidades afins e preservar o núcleo da formação gaúcha e a filosofia do movimento tradicionalista; promover a cultura, a defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico, do Rio Grande do Sul; promover a ética, a paz, a cidadania, os direitos humanos, a democracia e outros valores universais.
Ao longo desses 58 anos, muitas coisas foram modificadas e atualizadas na estrutura da instituição MTG – configuração de vice-presidências, de Conselho Diretor e de departamentos. Porém, o ponto central da criação da instituição e sua preocupação em congregar as entidades tradicionalistas não mudaram. É inegável a importância do Movimento Tradicionalista Gaúcho, enquanto órgão, para a dimensão que o tradicionalismo chegou. É inegável sua contribuição para a preservação e pesquisa da cultura gaúcha. É inegável o trabalho prestado à sociedade gaúcha.
Por Amanda Faleiro
Fontes: Caderno Piá 21 – maio de 2016; Caderno Piá 21 – março de 2016; RS: História e Identidade– Manoelito Carlos Savaris; Site do MTG.


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